Foi apenas alguns dias após seu trigésimo quinto aniversário, acordou de um pesadelo.
"Quem são? Quem morreu?" - pensou, ainda com o coração a rebentar-lhe o peito. " Um acidente de carro?"
Buscou pelo copo d'água que passara a deixar ao lado da cama, hábito que tinha desde que começou seu namoro com Cristina. Fazia oito meses que estavam juntos e ela agora dormia pesadamente ao seu lado, protegida da corrente de ar gélido que passava pelo vão da janela por um cobertor xadrez, azul e preto.
Estava de costas para ele, os cabelos castanhos, longos. Ela tremeu por alguns segundos. Seu corpo ficou retesado.Ternamente ele a abraçou. Um abraço silencioso, sentiu-se como se há muito tempo não fizesse isso, sentiu a pele dela tocar a sua, um encontro que sabia ser, naquele momento, o seu ato mais amoroso. Seu toque despertou-a levemente da tensão e com um resmungo delicado virou o rosto, mergulhando em seu peito protetor.
Abraçados, voltaram a dormir. Protegidos do frio pelo calor de seus corpos, afastaram-se dos sonhos inconscientes e mesquinhos. Estavam juntos pela primeira vez.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
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