Estou consumido pelos meus vícios. Sinto meu espírito partir-se, estilhaços que já não consigo juntar.
Estilhaços que cortam minha pele de dentro para fora. Falta ar em meus pulmões corrompidos pela fumaça dos cigarros que fumo sem contar.
Livrai-me do Mal que habita meu peito, uma prece sem efeito hoje, sem redenção para mim.
A dor em minhas costas encurvadas, o amargor de esperar por você, sabendo que não virá. Espero que a noite passe lentamente, o calor é insuportável, não há vento, nem as hélices do velho ventilador branco conseguem romper este ar modorrento.
Se tive sonhos em minha juventude, já não consigo lembrar-me deles. Foram-se. São menos que cinzas ao vento. Nas poucas horas que o sono me abriga, não há repouso, não há descanso, apenas o entorpecimento que abre meus olhos ao despertar é presente e intenso.
Abandono toda esperança, todo desejo. Minto, o desejar está presente, mas conspurcado, poluído por meus vícios e por minha intransigente solidão.
Mas a esperança por dias melhores se foi. Invento simulacros de uma vida ainda por viver, mas engano a quem com isso?
Não. Minha grande resposta para a vida sempre foi esse covarde negar. Este covarde e egoísta medo.
Ah! Escreverei sobre o pior que há em mim. Para purgar meu demônio, para exorcizá-lo da única forma que sei; encarando-me no espelho e desafiando o abismo.
Este abismo que tanto atrai, que com sua força a tentar-me todo dia, há de derrotar-me apenas quando minha voz silenciar, quando meu corpo abandonar sua razão, quando meus impulsos mostrarem-se fracos.
Acordar todo dia, as linhas em meu rosto aprofundam-se e assim percebo que mais um dia vivo é mais um dia em que a Graça está à minha espera.
Deus está sempre à nossa espera.
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
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