Ele estava com medo dela. Não era um temor natural, como tememos um cachorro bravo ou baratas voadoras, mas um medo ali dentro que o fazia sentir o coração bombear forte e sua face corar como um adolescente.
Soube que sentia isso ao cruzar o olhar e as palavras com ela, não da primeira vez, como em comédias românticas e irreais, mas após penetrar, quase sem querer, em um universo de dúvidas e lembranças, paixões e músicas, que derrubaram seu muro emocional.
Não era algo que esperava, nunca é, e apesar da experiência em outros relacionamentos, todo alquebrados, sentia esse temor de forma consistente, plena.
Disfarçava, em cada novo encontro fortuíto, seu medo com um misto de arrogância e cinísmo, uma forma desesperada de reerguer, de novamente encontrar sua proteção solitária. Às vezes não conseguia e sentia-se vulnerável, o que o deixava irritado consigo mesmo por não ser capaz de manter-se no controle, de deixar-se levar por aquele sorriso sincero e tímido que o comovia sem querer.
Passou os últimos dias a medir, a refletir, a equilibrar-se em motivos que o obrigava a racionalizar e afastar-se de alguma forma daquele medo. Dela.
Procurou silenciar sua vida de forma a não deixar mais que dali, nada se revelasse que pudesse comprometer o que mais importante encontrara nela. Sua amizade.
Pois sabia que, no final de tantos e desastrosos finais que dividiu em sua vida, o bem mais precioso perdido era aquele intangível e irrecuperável encontro que tão pouco acontece em nossas vidas.
E por conta disso, seguiu sua vida, sem mais permitir que seu empedernido coração voltasse a bater de forma descontrolada.
sábado, 14 de fevereiro de 2009
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