domingo, 8 de fevereiro de 2009

Fantasma de uma vida

Ela saiu deixando o perfume nostálgico de seu sorriso na sala.

"Não sei, não quero ser dessas pessoas que quando terminam um relacionamente jogam tudo fora, todas as lembranças, apagam todas as músicas e queimam as fotos. Você foi um momento bom na minha vida, preciso disso para continuar acreditando"

Disse isso e se foi.

Depois de fechar a porta e perceber que o apartamento estava vazio de tudo, pensei no que havia jogado fora, melhor, pensei na razão de ter jogado uma vida com ela fora.

Por não querer encarar os problemas de nossa vida futura? Por já achar que esta vida estava comprometida pelos desencantos do último ano? Pelo simples fato de não saber como manter uma vida compartilhada?

Tudo que irá restar dessa história serão as boas lembranças. Será que por elas terminei uma família que poderia ser a minha?

E agora? e na próxima vez (estou tão ansioso assim por uma próxima vez?) será que valerá a pena trocar a incompletude que acompanha a amizade por momentos de entrega total que secarão completamente os encantos que florescem no alvorecer da paixão?

Permaneço como um fantasma nesta casa a esperar por lembranças que mantenho longe de mim. E como um fantasma, etéreo, incorpóreo, sem ação sobre o mundo real, entrego-me ao mais profundo descuido.

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