Fragilidade.
Percebemos a morte em nossas rugas, que a cada dia tornam-se mais profundas. Inevitável.
E nos sentamos a beber café e contar histórias, como se pudessemos transcender o tempo através desta antiga e perpetuada tradição. Contar histórias.
Rir de dentes quebrados, reconhecer o patético humor de pulsos cortados, perceber a piada além-túmulo contada por inconsequentes parentes. A vida carrega suas sementes de dor e humor.
E essas marcas que vão, aos poucos, escavando nossos rostos, marcas de risadas e tristezas, pequenas e profundas linhas a registrar nossas lembranças.
Envelhecer é reconhecer a mortalidade. Envelhecer é perceber que o perene está no cotidiano de nossas vidas. Contamos nossas histórias e notamos, no delicado, frágil momento, que fazemos parte de uma linhagem. Odisseu revivido, reencenado em nosso transitar neste vale de sombras.
Se há um sentido, um propósito no Eterno, é no partilhar de vidas e recordações que encontraremos seu sutil significado. Não há eternidade sem partilha.
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
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