quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Do doloroso ato de escrever.

Escrever, lapidar, talhar as palavras e construir na pedra branca que são as folhas o sentido, o ritmo, o pulsar.

Sempre foi um ato mental, um construto da mente. A forma racional de representar sentimentos, alegrias, dores e perdas.

Essa era e é a meta, o objetivo, a maneira de se construir.

Mas descobri a dor do ato de escrever. De alguma forma, buscando transformar a memória em artefato, a razão cedeu. As palavras sucediam-se nas páginas. E de repente, não mais que de repente, o que era mente, racíocinio, esteticismo, foi varrido, foi violado. Um imenso desespero, uma imensa perda tomou posse do meu corpo.

Não sei, não sei se ao pintar, ao escrever, ao compor, ao lidar com seus ofícios, pintores, escritores ou músicos sentiram essa imensa vontade de chorar. Sentiram que a cada pincelada, cada palavra posta, cada nota articulada, fazia brotar lágrimas em seus olhos solitários.

Nunca escrever foi tão doído. Uma chaga aberta pelas palavras. E de alguma forma, cauterizada.

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