Domingo, 21:30. Chove. Ponto de ônibus.
Já estou esperando há trinta minutos. O corpo úmido da chuva que tomei da estação de trem até o ponto de ônibus. Espero por um ônibus que parece não existir.
Um cigarro deixa minha mão com cheiro de tabaco e cinza molhada. A chuva cai mais forte. Uma tragada profunda e a fumaça entra em meus pulmões, sai pelas narinas e o gosto fica em minha boca. Amargo e vital.
Decido não mais esperar. Olho para o céu e não há clemência. Há apenas água caindo. Deixo a frágil proteção do ponto, cansado da umidade irritante e deixo a chuva acertar minhas roupas, meu corpo.
É fria e revigorante a água que cai, caminho e a pouca luz que existe é mais o reflexo dos faróis de carros, poucos, que passam por mim. Penso que seus motoristas perdem um pouco de suas vidas ao permacerem seguros e secos por trás dos volantes.
A cada passo sinto a água penetrar em minhas roupas, gelando aos poucos minha pele, até estar completamente ensopado. A sensação é de uma infantil alegria. Uma felicidade efêmera, como toda felicidade humana. Como quando criança a brincar na correnteza torrencial que chuvas de verão formavam no meio-fio da minha rua, como as noites em claro a conversar com alguém que ainda não é nada mais que uma amiga, nada mais que seu amor eterno. Efemeridades.
Horas se foram e já em casa, meus pensamentos me obrigam a não dormir. A registrar e anotar essas impressões do dia que se foi. Preciso dormir um pouco, daqui a poucas horas um novo dia de trabalho, um dia incompleto como toda a minha vida incompleta.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
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